Festivais

FestivaisAs transformações do ciclo energetico da natureza, manifestadas pela variação das estações influenciam as nossas vidas.

Estas celebrações são um meio através do qual os adoradores saudam e comungam com os seus Deuses e Deusas ao mesmo tempo que se alinham ou sintonizam com o fluxo energetico das estações que fazem parte do ciclo da Natureza (Roda do Renascimento). Estas práticas de comemoração dos festivais, aliadas ao estudo, ajudam a criar as condições ideais ao real aprendizado e crescimento espiritual. Nós os Pagãos acreditamos que harmonizando-nos com as forças naturais de cada estação, equilibramos a nossa existência psíquica e física transmitindo assim harmonia às nossas vidas.

Estes são em traços largos os objectivos da comemoração dos Festivais, mas devemos ter em atenção qual o nosso Hemisfério Norte ou Sul e quais as Divindades ou forças elementais que iremos saudar para não criarmos desarmonia e desequilíbrios entre a celebração e a energia da estação, cujas consequências irão recair sobre a nossa vida psíquica e física.

No Paganismo, na área Anglo-Saxónica, existem ritos standard para as celebrações. Nestes constam só a referencia de A Deusa e O Deus, aos quais se devem acrescentar os nomes próprios dos nossos Deuses e Deusas, caso sigamos esta área do paganismo. Se os nossos Deuses e Deusas pertencerem a outras vertentes Pagãs tais como Clássica, Ibérica, Stregaria ou outra não devemos usar esses ritos Anglo-Saxónicos nas nossas saudações, devido às consequências negativas acima descritas.

Os nomes pelos quais os festivais são conhecidos no Paganismo variam segundo a Tradição e muitas vezes existem diferenças de alguns dias entre as datas em que são realizados.

 

1 de Fevereiro: Imbolc

No seu caminho pelos céus o sol vai crescendo e ficando mais forte e apesar do Inverno ainda não ter partido a vida começa a florescer; nas casas são acendidas velas para acelerar a partida do Inverno e a chegada da Primavera.

È também um período de renovação, aproveitado em algumas tradições pagãs para limpeza e purificação anual das casas deitando fora tudo o que é velho.

 

21 a 23 de Março: Equinócio da Primavera

O dia do Equinócio é altura de ir à Árvore dos Antigos e honrar a Deusa viva: Deusa Luminosa, fértil, poderosa. Os dias começam a crescer mais luminosos, maiores e amenos.

Com a fertilidade vem o ovo, as crias, o tempo de Primavera com seus símbolos de Criação e energia geradora. Tudo na Natureza começa a vivificar, a aquecer, a expandir, a crescer. Sendo altura de vivificação e rompimento, é altura de “deitar fora” as restrições do Inverno ido, de largar frustrações e pesares, planear e tentar alcançar aquilo que queremos para nós próprios.

A celebração ao emergente, ao movimento ascendente, não é só desejo é também acção! As sementes germinam, novas plantas despontarão e tornar-se-ão visíveis acima do solo, flores despontam, aguaceiros alimentam a Terra, crias de animais saem de suas tocas para se alimentarem dos primeiros pastos e rebentos… E é o mesmo connosco! Nós sentimo-nos capazes de aceitar riscos, fazer o que está pendente, renovar a casa e o visual, passar da teoria à acção, fazermos as coisas acontecerem. Existe latente um poder de excitação e alegria que despertaremos, acompanhando o crescimento da Deusa.

 

30 de Abril a 1 de Maio: Beltane

Beltaine é fertilidade resultante da união e do acasalamento. A terra, de novo aquecida pelo retorno do Sol, palpita de vida. Nos campos, os adoradores saltam as fogueiras, crentes na purificação e na fertilidade, resultante do seu acto – montados em vassouras, pulam o mais alto possível incentivando os cereais e outras sementeiras a crescer em vigor.

Devido às diferentes tradições existentes no Paganismo , os festejos, para uns, iniciam-se na noite de 30 de Abril prolongando-se pelo dia 1 de Maio, enquanto que para outros as Festividades têm inicio no próprio dia 1, altura em que as comemorações à luz do Sol atingem o seu ponto mais expressivo nas brincadeiras do May-Pole, nas danças e nos cantares e onde as comidas e a bebida são parte integrante.

 

21 a 23 de Junho: Solstício de Verão

Alban Hefin (tradições de Caledonii ) Feill-Sheathain (tradições de Pecti-Wita)

Este dia, o Solstício de Verão que cai a 21 ou 22 de Junho, era celebrado na maior parte da Europa e também na Escócia (Litha) e marca o dia mais longo do Sol e a noite mais curta. Ao marcar o apogeu do Sol, a partir desse dia os dias irão diminuindo e as noites tornando-se maiores; contudo algumas colheitas ainda vêm longe, como a do trigo e outros cereais, vinha e outros frutos.

Muitas dos costumes tradicionais de Solstício de Verão que chegaram até nós, têm a ver com fogo, fertilidade e protecção. O fogo é um agente purificador e protector, capaz de conceder fertilidade e bênçãos. Era habitual usar grinaldas feitas de verbena e rosmaninho para este Sabbat e contemplar as deidades com a fogueira do Solstício – isto preservava a saúde dos olhos e era também utilizado para a Visão, quando o fogo esmorecia tornando-se brasas… As grinaldas e as ervas mágicas eram lançadas no fogo e ao mesmo tempo era feito um desejo, que se escrito, seria queimado com a grinalda.

Outro costume deste tempo do ano era uma procissão com tochas acesas ao redor dos campos cultivados, para os Deuses os abençoarem. O simbolismo de fogo-roda é valioso e era dito que muitos dos costumes que envolvem o fogo nesta altura do ano protegiam as pessoas de maus olhados, malefícios e enfermidades, e concediam fertilidade aos humanos e animais. Também se dizia que o fogo e os odores de ervas secas queimadas nas fogueiras dariam força ao Sol para que Ele voltasse a renascer .

 

1 de Agosto: Lammas

No mês de Agosto celebra-se este Festival com as primeiras colheitas – A Colheita do Grão.

Uma característica dos ritos de Lammas em várias tradições é o ajuntamento do grão, o encabeçamento e a fabricação da Mãe – de – grão.

Nos antigos festivais das Colheitas, o Espírito do grão ou milho era “mantido à parte” pelos ceifeiros, e ritualmente colhido pela Sacerdotisa, e guardado numa gaveta. Noutras regiões em vez de guardado na gaveta, fazia-se a Mãe-de-milho que era entrançada em forma de coroa bem “empacotada” e vestida tal como uma mulher; é o grão desta trança que será plantado nos campos do próximo ano… A Mãe-de-milho do Festival de Lammas era pendurada nas vigas do celeiro, alto sobre as lajes ou à entrada das portas, até que o espancar e joeirar estivessem completos. Depois dos festejos Ela era cuidadosamente guardada até à próxima Primavera. Entretanto, alguns grãos da colheita eram escolhidos para o elixir doirado da cerveja ou, na Gália, a Cidra. Esta bebida fermentada era às vezes referida como John Barleycorn.

O mês de Agosto, quente, húmido, é também a época do mês irlandês da Lua de Cevada, tendo o seu inicio com o Festival de Lughnasadh a 1 de Agosto.

 

21 a 23 Setembro : Equinócio de Outono

Neste período o dia e a noite estão em equilíbrio e a partir desta data o Sol vai-se aproximando do seu ponto mais baixo tornando a noite mais comprida.

O festival das colheitas é realizado em agradecimento às Deusas Mães Criadoras por nos terem proporcionado uma colheita fértil que nos dará alimento durante o inverno. Ainda hoje em muitas comunidades rurais são realizadas as festas das colheitas cristianizadas, porque foi a única forma de sobreviverem às perseguições levadas a cabo pelos cristãos em nome do seu Deus único e da sua verdade única.

Na Tradição Ibérica, mais ao menos por esta altura são realizadas as celebrações em honra do Deus Lugus.

 

31 de Outubro a 1 de Novembro: Samhain

A noite é mais longa e na escuridão da noite é chegado o momento de entrarmos e trabalharmos no mundo das sombras, das memórias e de recordar e contactar as almas dos antepassados. O frio da primeira respiração de inverno, no nosso hemisfério, envolve a Terra que se recolhe. Este é o momento propício para nos recolhermos dentro de nós mesmos, para reflectir e desenvolver as nossas habilidades divinatórias e psíquicas.

Os antigos Celtas, e muitas tradições Pagãs , consideram este dia a Véspera do seu ano novo. É a noite em que as barreiras entre os mundos da vida e da morte se tornam finas como véus e permitem às almas atravessá-las mais facilmente para caminhar entre os vivos e festejar com os seus familiares ainda vivos. Esta é também a noite em que o Deus Céltico Mac de Mansnnon Lir organiza a festa da Velhice.

Na tradição Ibérica honram-se os antepassados agradecendo-lhes a vida e encaminham-se as almas.

 

21 a 23 de Dezembero: Solstício de Inverno

O sol está no seu menor grau, é a noite mais longa do ano. No meio de escuridão, há uma esperança na renovação solar que em algumas tradições pagãs assume a simbologia da criança renascida. Honra-se a Deusa Mãe que dá à luz o seu filho, o Sol. É tempo de festas de comemoração e incentivo a esse renascimento decorando as casas com ramos de árvores perenes e acendendo o fogo da lareira. No exterior fazem-se danças à volta da fogueira que simboliza a luz e o calor necessários à vida e cultua-se a árvore que representa a resistência à morte simbolizada pela escuridão e o frio do Inverno.

Por esta altura, dependendo da Lua, na região norte da Ibéria os Velhos reunem-se…

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